Uma mesma posição no terreno pode ser escrita de duas formas: como coordenadas geográficas (latitude e longitude, em graus) ou como coordenadas UTM (em metros). Plantas, matrículas e memoriais descritivos usam uma ou outra — às vezes as duas. Para desenhar uma poligonal, calcular a área ou medir distâncias, o UTM é o mais prático, porque já está em metros.

Coordenadas geográficas: latitude e longitude

Indicam a posição na esfera terrestre, em graus. A latitude mede o quanto se está ao norte ou ao sul da linha do Equador; a longitude, o quanto se está a leste ou a oeste do meridiano de Greenwich. Elas aparecem em dois formatos:

  • Graus decimais: -19,92083 e -43,93778. É o formato do Google Earth e do GPS do celular.
  • Graus, minutos e segundos: 19°55'15,2"S e 43°56'16,1"W. É comum em memoriais e plantas.

Em Minas Gerais, e na maior parte do Brasil, a latitude e a longitude são negativas (estamos ao sul do Equador e a oeste de Greenwich). Nos formatos com letra, isso vira S (sul) e W ou O (oeste). A regra de ouro: a latitude vem primeiro.

Coordenadas UTM: metros dentro de um fuso

O sistema UTM divide o mundo em fusos de 6° de largura e mede a posição em metros, dentro de cada fuso: o E (leste, ou easting) e o N (norte, ou northing). A Região Metropolitana de Belo Horizonte fica no fuso 23 Sul, com meridiano central em 45° W. Por isso os valores por aqui têm a forma de um E de seis dígitos (por volta de 600.000 m) e um N de sete dígitos (por volta de 7.800.000 m).

Como o UTM é plano e em metros, a distância entre dois pontos é uma conta simples, e a área de um polígono também — é exatamente o que a ferramenta usa para calcular área e perímetro.

Como converter latitude e longitude para UTM

  1. Confira o datum. O datum é o sistema de referência das coordenadas. Hoje o padrão brasileiro é o SIRGAS 2000 (praticamente igual ao WGS 84 usado pelo GPS). Memoriais mais antigos podem estar em SAD-69: coordenadas iguais em datums diferentes apontam lugares diferentes, com diferença de dezenas de metros.
  2. Passe para graus decimais (se estiver em graus, minutos e segundos): some os graus, os minutos divididos por 60 e os segundos divididos por 3600, e dê o sinal negativo se for sul ou oeste. Exemplo: 19°55'15,2"S = −(19 + 55/60 + 15,2/3600) = −19,920889; e 43°56'16,1"W = −43,937806.
  3. Converta para UTM. A conta usa as fórmulas da projeção Transversa de Mercator, trabalhosas para fazer à mão. Use o conversor do Zonea, que aceita os dois formatos e uma coordenada por linha. No exemplo acima, o resultado no fuso 23S, em SIRGAS 2000, é E = 611.171,418 m e N = 7.796.921,950 m.
  4. Desenhe a poligonal. Com os vértices em UTM, cole na Ferramenta de Poligonal: o conversor já monta o bloco no formato do memorial, com o azimute e a distância de cada lado.

Erros comuns (e como evitá-los)

  • Latitude e longitude trocadas. Em Minas Gerais a latitude fica em torno de −14° a −23° e a longitude em torno de −39° a −51°. Se o primeiro número passar de 90 (sem contar o sinal), com certeza está trocado; se os dois forem parecidos, confira de que lado vem a latitude.
  • Sinal esquecido. 19,92083 (positivo) está no Hemisfério Norte, ou seja, do outro lado do planeta. Para Minas Gerais, latitude e longitude precisam ser negativas (ou trazer S e W).
  • Vírgula e ponto. No Brasil o decimal é a vírgula; muitos programas usam o ponto. Misturar os dois gera números errados sem aviso.
  • Datum errado. Converter como SIRGAS 2000 coordenadas que estão em SAD-69 desloca o desenho; no Google Earth ele cai fora do lugar.
  • Fuso errado. Fora do fuso 23 (longitudes a leste de 42° W ou a oeste de 48° W), o UTM muda de zona. O Zonea trabalha em 23S, por isso o conversor avisa quando alguma longitude estiver fora dele.
💡 O conversor de latitude e longitude para UTM do Zonea é gratuito e não pede cadastro. Depois de converter, as 2 primeiras poligonais de cada conta são grátis para desenhar, calcular a área e baixar em DXF, KML, KMZ ou PDF.

Ferramenta de apoio: a conversão é feita pelas fórmulas oficiais da projeção UTM e foi conferida contra uma biblioteca de referência, mas o resultado não substitui o levantamento topográfico nem a ART/RRT.